Morre o jornalista Marcelo Rezende aos 65 anos após luta contra o câncer

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Morre o jornalista Marcelo Rezende aos 65 anos após luta contra o câncer

Morreu, aos 65 anos, o jornalista Marcelo Rezende, após lutar durante quatro meses
contra um câncer no pâncreas e outro no fígado. A informação foi confirmada pela
Record e noticiada neste sábado (16) no “Cidade Alerta”, programa que ele apresentou
durante seis anos.
Marcelo Rezende estava internado desde a última quarta-feira (13), com um quadro de
pneumonia, no hospital Moriah em São Paulo, ligado à Igreja Universal do Reino de
Deus, mantenedora da Record. O jornalista deixa cinco filhos, de cinco relacionamentos
diferentes, e duas netas, além da namorada, Luciana Lacerda.
Rezende afastou-se da TV em maio e anunciou que estava com câncer em entrevista ao
“Domingo Espetacular” exibida no dia 14 daquele mês. A gravação aconteceu no dia 8,
horas antes de o jornalista ser internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo, e
submeter-se à primeira quimioterapia.
“Eu não tenho medo da morte, porque o homem que tem fé não tem medo, ele sabe que
irá vencer”, disse ao “Domingo Espetacular”. Durante o tratamento, o jornalista teve a
companhia da namorada, da filha mais velha, Patrícia, e amigos como Geraldo Luís,
apresentador do “Domingo Show”, e Fabíola Gadelha, pupila de Rezende no “Cidade
Alerta”.
Marcelo Rezende causou polêmica ao abandonar a quimioterapia e aderir a métodos
alternativos. O apresentador apareceu cada vez mais magro e abatido em vídeos
publicados por ele no Instagram. Colegas de profissão como Milton Neves chegaram a
fazer apelos públicos para o jornalista retomar o tratamento convencional no hospital.
Em sua última aparição pública, Marcelo Rezende publicou um vídeo no Instagram em 3
de setembro dizendo estar confiante para curar o câncer.
“Muita gente vive de boato, e no meu caso até entendo, porque não é toda hora que
temos uma informação. O câncer que eu tenho tem altos e baixos, é como uma
montanha-russa, mas o importante é que eu estou firme. E aí a cura vai chegar. eu tenho
certeza dela, porque Deus está comigo, Deus está contigo”, disse ele.
Trajetória começou no esporte
Nascido a 12 de novembro de 1951, no Rio de Janeiro, Marcelo Luiz Rezende
Fernandes não queria saber de estudar na adolescência. Aos 17 anos e matriculado em
um curso técnico de mecânica, conheceu o “Jornal dos Sports” por intermédio de seu
primo, Merival Júlio Lopes, que trabalhava na publicação. O adolescente ajudou um
jornalista a datilografar, sem saber que ele era o editor-chefe, e ganhou uma oferta de
emprego como repórter.
Ainda na cobertura esportiva, Rezende migrou para a rádio Globo e depois para o jornal
O Globo, onde trabalhou como redator ao lado dos novelistas Aguinaldo Silva e Gilberto
Braga. Em 1979, foi contratado pela revista Placar. Como representante da publicação,
participou da histórica entrevista de Ayrton Senna ao programa “Roda Viva”, da Cultura.
Marcelo Rezende chegou à TV em 1987, como repórter e editor do “Globo Esporte”. Na
emissora, trabalhou em campeonatos regionais e nacionais, e também na Copa América
de 1989, sediada no Brasil e vencida pela seleção liderada por Romário. No mesmo ano,
foi transferido para a cobertura policial e estreou com o assassinato do empresário José
Carlos Nogueira Diniz Filho.
Consagração no jornalismo policial
Marcelo Rezende apareceu abatido em um dos últimos vídeos que
postou em seu Instagram
Nos anos 90, Rezende destacou-se como repórter investigativo e conquistou notoriedade
com o caso da Favela Naval, exibido no “Jornal Nacional” de 31 de março de 1997, em
que policiais foram registrados por um cinegrafista amador torturando e atirando em
pessoas em Diadema, na Grande São Paulo.
Consagrado como repórter policial, Marcelo Rezende tornou-se apresentador em maio
de 1999, no relançamento do programa “Linha Direta”, que reconstituía crimes não
solucionados com a narração impactante do jornalista.
Em 2002, deixou a Globo e foi contratado pela RedeTV!, onde apresentou o “Repórter
Cidadão” e o “RedeTV! News”. Também passou pela Band, com o programa “Tribunal na
TV”, em 2010.
“Corta pra mim!”
Na Record, comandou o “Cidade Alerta” em dois períodos: entre 2004 e 2005 e entre
2012 e 2017. No programa policial, Rezende consagrou o bordão “Corta pra mim!”, que
nasceu por acaso, inspirado em um diretor irritado de outra emissora. A frase virou título
do livro do jornalista, lançado em 2013, com os bastidores de suas principais reportagens
investigativas.
Nos últimos anos, Marcelo Rezende conseguiu levar humor ao “Cidade Alerta” por meio
das brincadeiras com o comentarista policial Percival de Souza e os repórteres Luiz
Bacci e Fabíola Gadelha, apelidada pelo apresentador de “Rabo de Arraia”. Os dois
foram promovidos e comandaram o programa nas férias de Rezende