Doria é uma ameaça ao Alckmin, não a mim, diz Lula sobre eleição

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Doria é uma ameaça ao Alckmin, não a mim, diz Lula sobre eleição

Pré-candidato do PT ao Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o prefeito de
São Paulo, João Doria (PSDB), pode disputar a Presidência da República em 2018 e que não o vê
como uma ameaça. “Ele é uma ameaça ao Alckmin, não a mim”, avaliou Lula em entrevista à
rádio Itatiaia nesta sexta-feira (2).

Doria foi uma aposta do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para a disputa pela
prefeitura paulistana em 2016, o que causou um racha no partido. A vitória de Doria, em primeiro
turno, algo inédito na cidade de São Paulo, deu força tanto a Alckmin quanto a Doria para pleitear
a condição de candidato tucano à Presidência.

Aliados do governador acreditam, porém, que o prefeito disputar o Planalto seria uma traição ao
governador, que, nesta semana, lançou um site sobre sua pré-candidatura pelo PSDB. Já Doria
nunca assumiu que irá disputar o Planalto, mas também nunca negou que pretende concorrer ao
cargo de presidente.

“Ele [Doria] não me causa nenhum problema. Ele pode ser candidato. Ele vai causar problema
para o Alckmin, que é o seu criador”, afirmou o petista.

Lula aproveitou ainda para cutucar Doria, que é um dos seus principais críticos. “Ele só tem um
problema: que é administrar São Paulo. Esse negócio de ser eleito prefeito de São Paulo e ter
medo de administrar São Paulo e sair com um ano e quatro meses de mandato, ou seja, fugir do
cargo…”, disse Lula, lembrando de outro tucano José Serra, que deixou a prefeitura em 2006 para
disputar o governo paulista menos de um ano e meio após ter sido eleito.

“Está cheio de político que se elegeu em São Paulo com o compromisso de governar São Paulo
quatro anos. Depois percebem que os problemas de São Paulo são muito grandes mesmo. Aí as
pessoas tiram o cavalinho da chuva para ser candidato a governador, ser candidato a senador, ser
candidato a presidente. É um erro”, avalia o petista, que assumiu sua pré-candidatura em 13 de
julho, um dia após ser condenado a nove anos e seis meses de prisão pelo juiz federal Sergio
Moro em processo da Operação Lava Jato. O ex-presidente ainda é réu em outras seis ações
penais.

Segundo pesquisa do Datafolha, publicada no início de outubro, Lula lidera a corrida pela
Presidência em 2018 tanto no cenário contra Alckmin como no contra Doria.
Em ambos, os tucanos aparecem em quarto lugar, com os mesmos 8% das intenções de voto. O
petista, porém, tem 36% contra Doria, e 35% contra Alckmin.

Em função de sua condenação, Lula pode não disputar a eleição de 2018 caso a segunda
instância, o TRF (Tribunal Regional Federal) da 4ª Região, confirme a sentença de Moro. Essa
decisão só sairá no ano que vem, ainda sem data marcada.

O UOL procurou a assessoria de Doria para comentar a entrevista de Lula, mas ainda não obteve
retorno.

Caravanas e eleições de 2018
Lula está em ritmo de pré-candidato a um terceiro mandato presidencial nas eleições do ano que
vem. Até o dia 30, o petista passará por cidades mineirasnas quais, em sua maioria, o partido
teve votações expressivas nas últimas disputas presidenciais, localizadas principalmente no norte
e no nordeste do Estado.

O petista já passou por todos os Estados do Nordeste e, depois de Minas, deve fazer uma
caravana no Rio Grande do Sul ainda este ano. O petista também já incluiu regiões da
Grande São Paulo em seu itinerário.