Doria demonstra pouca intimidade com o agronegócio

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Doria demonstra pouca intimidade com o agronegócio

São Paulo - O governador Geraldo Alckmin e o prefeito João Dória reunem secretários do governo e prefeitura em seminário de integração para discutir ações prioritárias e parceirias (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Tratado como possível candidato à Presidência da República, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), aproveitou um almoço dado pela bancada ruralista do Congresso ontem em Brasília para cortejar o setor do agronegócio brasileiro.

O tucano, porém, demonstrou desconforto em abordar temas do universo agropecuário, com os quais não tem intimidade e conhecimento, na avaliação de parlamentares que estiveram no encontro.

Quando questionado sobre sua ligação com o agronegócio, Doria se limitou a responder que é casado com uma filha de agricultores de Santa Catarina e que São Paulo é a cidade que mais consome alimentos do Brasil.

O prefeito procurou não se aprofundar sobre as pautas agropecuárias, se limitando a elogiar o setor, e inclusive comentou que a área é a que mais desperta interesse por parte de investidores estrangeiros nas viagens que tem feito a vários países e das quais têm sido alvo de frequentes críticas.

“Muitas vezes sinto que São Paulo não pode oferecer projetos de agronegócios e sempre comento [com os investidores estrangeiros] que avancem para o âmbito do Estado e do governo federal, tamanho o apetite em relação à produção agrícola brasileira”, afirmou Doria, acrescentando que o setor orgulha o país com crescimento contínuo, mesmo em anos de recessão.

“É importante lembrar que ele é o político hoje com maior número de seguidores nas redes sociais, então nós que aproveitamos a sua visita para falar um pouco desse setor, que significa 25% do PIB brasileiro, é o maior empregador do Brasil, e o que mais cresce e mais segura a balança comercial”, disse o anfitrião do almoço, o deputado Nilson Leitão (MT), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que é formada por 220 deputados. “Agora, eleição a gente discute só no ano que vem”, afirmou Leitão.

“Aqui hoje ele mais aprendeu sobre o setor e evitou aprofundar os assuntos. Pode-se dizer que o Doria levou um ‘banho’ de agronegócio”, disse o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), outro integrante da bancada ruralista.

Já a deputada Tereza Cristina (PSB-MS), líder de seu partido na Câmara e vice-presidente da bancada, disse que ficou claro que a ida de Doria ao almoço, apesar de cordial e própria para debater mais sobre a agenda do agronegócio, significa que o prefeito está “se preparando para ser candidato”.

“Como prefeito de uma cidade globalizada, ele tratou das questões de forma mais ampla, mas reconheceu o poder do agronegócio”, afirmou o deputado Marcos Montes (PSD-MG), líder do partido na Câmara.

Doria (PSDB), também defendeu a posição da bancada ruralista favorável à uma portaria do Ministério do Trabalho, publicada na última segunda-feira e que flexibilizou regras de fiscalização e combate ao trabalho escravo, mesmo admitindo desconhecer o assunto.

“Eu endosso plenamente a posição do deputado Nilson [Leitão (PSDB-MT)], que também é deputado do nosso partido”, afirmou o prefeito, acompanhado do líder ruralista.

A FPA vem se posicionando desde ontem que não pediu ao governo e nem participou das discussões em torno da portaria, que passou a prever que a divulgação da chamada “lista suja do trabalho escravo” dependerá de agora em diante de uma “determinação expressa do ministro do Trabalho”. Mas que, apesar de considerá-la positiva, por dar transparência a procedimentos de fiscalização no trabalho rural, a portaria não resolve todos os problemas afeitos ao tema.

Após o encontro com os ruralistas, Doria ainda teve agendas à tarde com os ministros Bruno Araújo (Cidades) e Mendonça Filho (Educação) para cobrar recursos federais para programas de revitalização urbana; e educação digital e construção de mais creches, respectivamente. Doria ainda esteve à noite em jantar com o presidente Michel Temer.