PT denuncia à Polícia nomes de 10 suspeitos de atentado contra caravana de Lula

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PT denuncia à Polícia nomes de 10 suspeitos de atentado contra caravana de Lula

Nomes de dez suspeitos de envolvimento em atentados contra a caravana do ex-presidente Lula e 20 números de telefone foram identificados e encaminhados pelo Partido dos Trabalhadores à polícia.

Em coletiva à imprensa, o presidente do PT do Paraná, ex-deputado federal Doutor Rosinha, afirmou, nesta quinta-feira  (29), que somente “uma pessoa com problema mental” diria que o próprio partido atentaria contra a caravana. Rosinha fez referência a declarações de autoridades que sugerem a suspeita. Sem citar nomes, ele criticou especialmente as declarações do pré-candidato à presidência da República Jair Bolsonaro, do PSL, que acusa o próprio PT de ter criado um factoide.

“Eu estava lá, imediatamente nós chamamos a polícia, saíamos dali, eu fui à delegacia junto quando foi tomado o depoimento de um jornalista e do motorista do ônibus. Solicitamos que no mesmo dia a perícia se fizesse presente porque nós não queríamos ser vítimas de ilações e mentiras… Acho que deve ser alguma pessoa que tem um problema mental ou muita má-fé imaginar que um de nós vamos dar um tiro em um ônibus que tem dentro dele gente nossa. Eu repudio em nome do PT esse tipo de argumento e espero o mais rápido possível que o laudo fique pronto”, afirmou Rosinha.

Crime premeditado pelo WhatsApp

A denúncia encaminhada ao Ministério Público inclui uma série de prints de conversas no Whatsapp dos grupos “Caravana Contra Lula 26/03” e “Foz contra Lula26/03”, nos quais integrantes afirmam a intenção de trocar os ovos e pedras, que vinham sido atirados contra a Caravana desde o início, por tiros de munição letal.

“Gente, vamos trocar os ovos por bala de borracha e munição letal, que vai ser bem mais eficaz”, diz um dos integrantes do grupo Caravana Contra Lula 26/03, em uma mensagem enviada às 9h50 da segunda-feira (26). “Gosto da ideia, seria o primeiro a atirar, mas aí nós seríamos os vilões”, responde outro integrante.

Posteriormente, acontece o seguinte diálogo:

— “Vou para o Paraguai comprar um fuzil, é o único jeito kkkkk”.
— “Vai na loja de arma, compra um puma 38 ou 44, é mais fácil do que você imagina”.
— “Aí é só se posicionar do outro lado do rio e mandar uma bala certa”.

Perícia

A perícia deve ficar pronta nos próximos dias, segundo a Secretaria de Segurança. Na quarta-feira, o delegado Wilkison Fabiano Oliveira de Arruda, da Polícia Civil de Laranjeiras do Sul, no Paraná, que estava de plantão na terça (27) quando foram feitos disparos contra dois ônibus da comitiva do ex-presidente, faz duras críticas à estrutura da Polícia, que ele classifica como sucateada.

Em nota, Arruda afirmou que os problemas da polícia ficaram evidentes no caso do ataque. A nota aponta que “a demora na chegada de peritos ao local se deu em razão da extrema precariedade a que está submetido o Instituto de Criminalística do Estado do Paraná”.

O governador Beto Richa, do PSDB, negou as afirmações do delegado e disse que o Estado nunca teve tanto investimento na Polícia Científica. Richa disse hoje (29) que acompanha de perto a investigação caso dos tiros contra a caravana.

O secretario-geral do PT no Paraná, ex-deputado Angelo Vanhoni, reconhece que houve atendimento por parte do Comando da Polícia Militar nos grandes centros. Ele sugere, porém, que autoridades locais, de cidades menores, podem ter sido omissas durante a caravana.
“As ameaças estão sendo vinculadas por whatsapp. Serviços de segurança já detectaram. Já tem diálogos entre os membros que estão atirando pedras, desde Bagé, dizendo que tem que substituir as pedras por balas. Isso já foi entregue à polícia. A alegação das pessoas de que houve armação é puro ilusionismo. Nós não estamos posando de vítima”, afirmou.

Vanhoni aponta que os diálogos flagrados na investigação até agora apontam para pessoas diretamente envolvidas em atentados. Ele lembrou o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, no Rio de Janeiro, há duas semanas, para afirmar que há no País um processo de radicalização que prega a extermínio de pessoas que defendem determinadas posições políticas.

“Aconteceu um crime bárbaro no Brasil há duas semanas, uma vereadora que luta pelos direitos humanos morreu à luz do dia a 700 metros da prefeitura, no Rio de Janeiro. Não é um grupo que deseja contrapor ideias a nós… Nós estamos percebendo que eles desejam a nossa aniquilação, aniquilação física”, desabafou.
Duas equipes do Centro de Operações Policiais Especiais, o Cope, grupo de elite da Polícia Civil, foram designadas ontem (28) pela Secretaria de Segurança para reforçar as investigações. Paralelamente, a pedido do Partido dos Trabalhadores, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, do Ministério Público, também vai investigar atos de violência contra a caravana.