Procuradores dizem que Moro faz “populismo penal” e vaiam juiz em congresso

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Procuradores dizem que Moro faz “populismo penal” e vaiam juiz em congresso

Um grupo de procuradores vaiou o juiz Sergio Moro, que atua em processos da Operação Lava
Jato, na abertura do Congresso Brasileiro de Procuradores Municipais, iniciado na noite desta
terça-feira (21) em Curitiba. O magistrado foi convidado pela ANPM (Associação Nacional dos
Procuradores Municipais) para fazer uma palestra sobre combate à corrupção.

Moro já havia sido alvo de um manifesto, datado de maio, assinado por 72 procuradores
municipais e endereçado à ANPM por causa do convite ao juiz. Segundo a nota de protesto, Moro
“se coloca como rival dos acusados, assumindo explícita parcialidade” como juiz, tem “pouco
apreço ao processo justo” e é representante do “populismo penal”.

Segundo a procuradora Rosaura Bastos, uma das participantes do protesto, o grupo que se
manifestou contra Moro durante a abertura do congresso era formado por cerca de 30
procuradores. Outros chegaram a se retirar do evento no momento da palestra do juiz.

Ainda de acordo com a procuradora, o protesto seria silencioso, apenas com faixas escritas com a
palavra “vergonha”, mas os cartazes foram tomados por seguranças. Por isso, o grupo optou pela
vaia.

Rosaura disse que os participantes do protesto não eram maioria no momento do evento, mas que
o objetivo do grupo era marcar posição e mostrar que o apoio à presença de Moro não era
unanimidade entre os presentes.

Segundo a procuradora, Moro “desrespeita constantemente as prerrogativas de advogados”, e
citou como exemplo a autorização de grampos em escritórios de advocacia que defendem réus da
Lava Jato.

No fim de outubro, o escritório Teixeira, Martins & Advogados, que defende o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT), entrou na Justiça para pedir a inutilização de áudios de telefonemas
que foram gravados por ordem de Moro e estariam sujeitos ao sigilo profissional dos
advogados.

Na sentença do chamado processo do tríplex, em que Lula foi condenado, Moro disse que “não
corresponde à verdade” a afirmação de que todos os advogados do escritório tiveram telefonemas
gravados. Um dos sócios do escritório é Roberto Teixeira, amigo de Lula e réu em dois processos
na Lava Jato.

Associação minimiza protesto

O procurador Miguel Kalabaide, um dos organizadores do congresso, disse que a ANPM entende
que o convite a Moro foi correto. Kalabaide lembrou que o juiz foi convidado a falar sobre o
combate preventivo à corrupção, que “é o papel da Procuradoria”.

“Eles quiseram partidarizar uma coisa que não tem como partidarizar”, disse. “Nós tivemos um
evento com 600 pessoas onde quatro sujeitos fizeram uma vaia. São pessoas conhecidas,
militantes do PT, porque entendem que o juiz persegue o PT. Pena que isso se transforme em
notícia.”

Sobre as faixas, Kalabaide disse que o teatro Ópera de Arame, onde foi realizada a abertura do
congresso, não permite a entrada de objetos do tipo.

“Evidentemente, por se tratar de uma autoridade federal, houve uma segurança reforçada”,
declarou.

Procurado pelo UOL por meio da assessoria de imprensa da Justiça Federal do Paraná, o juiz
Sergio Moro não quis se manifestar sobre o protesto.