Paraná registra recorde de assassinatos de homossexuais em 2017

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Paraná registra recorde de assassinatos de homossexuais em 2017

Às vésperas da Parada da Diversidade de Curitiba, o grupo Homofobia Mata
divulgou dados que revelam um cenário trágico no Paraná. Após um travesti ser
encontrado morto ontem em Missal, no Oeste do Estado, chegou a 20 o número de
casos de homicídios contra homossexuais registrados em 2017 no Estado, recorde
da série histórica iniciada em 2012 pelo site Homofobia Mata. Até então, o ano com
mais ocorrências de assassinatos de homossexuais no Paraná era 2012, com 18.

Em 2016, haviam sido registrados 16 casos no mesmo período, ou seja, em onze
meses o Paraná já registrou 33,3% mais casos de assassinatos dessa natureza do
que durante o ano passado inteiro. Com isso, o Estado aparece em quinto lugar no
ranking nacional, atrás apenas de São Paulo (42), Minas Gerais (39) e Bahia (29) e
Pernambuco (21).

Ao todo, o Paraná registrou nos últimos seis anos 87 ocorrências de homocídios
que vitimaram gays. Tal número, no entanto, é sub-notificado, especialmente pelo
fato de crimes homofóbicos não serem tipificados (ou seja, previstos em lei), o que
dificulta o registro estatístico das ocorrências. O grupo Homofobia Mata, por
exemplo, faz seus levantamentos com base em notícias publicadas em jornais de
todo o país, já que não há nenhum tipo de registro oficial.

A alta no número de ocorrências dessa natureza no Paraná, inclusive, segue uma
tendência nacional. No ano passado haviam sido 343 registros, média de um
LGBT morto a cada 25 horas no país. Neste ano já foram 344 casos, com
aproximadamente uma ocorrência a cada 21 horas.

Identificação de autores
A maior parte dos casos de homocídios contra grupos homossexuais são
registrados de noite ou de madrugada, em lugares ermos ou dentro de casa, o que
dificulta a identificação dos autores. Além disso, quando há testemunhas, muitas
acabam se recusando a depor devido ao preconceito anti-LGBT. E há ainda o
preconceito oficial: “ Policiais, delegados e juízes manifestam sua homotransfobia
ignorando tais crimes, negando sem justificativa plausível sua conotação
homofóbica”, afirma o grupo Homofobia Mata.

No ano passado, somente em 17% dos 343 homocídios o criminoso foi
identificado, sendo que apenas 10% dessas ocorrências resultaram em processo e
punição aos assassinos, que em grande parte dos casos são pessoas próximas
das vítimas, como companheiro atual (27%), ex-amante (7%) e parentes (13%).
Clientes, profissionais do sexo e desconhecidos em sexo casual foram
responsáveis por 47,5% desses crimes de ódio.

18ª Parada da Diversidade acoNtece domingo
O próximo domingo é dia da 18ª edição da Parada da Diversidade LGBTI de
Curitiba. A concentração acontece a partir do meio dia na Praça 19 de Dezembro .
A partir das 13h30 começa a caminhada que unirá os participantes aos carros de
som e artistas num trajeto pela Avenida Cândido de Abreu seguindo até a Praça
Nossa Senhora de Salete, em frente ao prédio da prefeitura de Curitiba, onde
serão realizados shows e apresentações culturais até as 20 horas. Entre as
presenças confirmadas estão a da funkeira Mc Mayara.

O tema da Parada da Diversidade este ano é “O que eu tenho a ver com isso?”, e
pretende questionar a população sobre assuntos como machismo, intolerância
religiosa e preconceito. O evento não tem apoio do poder público e é organizado
totalmente em parceria com empresas e voluntários.

“Cura gay” na Unespar
O Diretório Acadêmico José Brazil Camargo, do campus da Universidade Estadual
do Paraná (Unespar) de Apucarana, promove no dia 13 de novembro, mesa
redonda no município sobre “Tempos de Cura Gay”.

O evento acontece das 19h30 às 22h30, no Auditório Gralha Azul, no campus da
Unespar. As inscrições podem ser feitas pelo site da Unespar.
Com informações do Bem Paraná