A Reforma Trabalhista passa a valer hoje. Aos trabalhadores, meus pêsames

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A Reforma Trabalhista passa a valer hoje. Aos trabalhadores, meus pêsames

Como foi feita a Reforma Trabalhista, que passa a valer neste sábado (11)? A partir de meia dúzia
de propostas encaminhadas pelo Palácio do Planalto, ela ganhou corpo na Câmara dos
Deputados com dezenas de acréscimos. Grosso modo, o texto final foi inspirado por demandas
apresentadas por confederações empresariais e grandes empresas e por posições derrotadas em
julgamentos no Tribunal Superior do Trabalho – posições que significaram perdas a empresários e
ganhos a trabalhadores. Ou seja, foi uma forma rápida de dar um cavalo de pau na relação entre
patrões e empregados.

As leis e a Justiça trabalhista, mesmo com suas imperfeições, têm sido responsáveis por garantir
um mínimo de dignidade a milhões de brasileiros e a evitar que a lei da selva, ou seja, a
sobrevivência do mais forte, prevaleça. Com o aprofundamento de uma crise econômica, os
trabalhadores são os primeiros a sofrerem perdas substanciais. Deveriam ser os mais protegidos,
portanto. Mas foram os primeiros – e talvez os únicos – a serem punidos.

Enquanto isso, dividendos recebidos de empresas seguem sem ser taxados, fazendo com que a
classe trabalhadora pague mais imposto através de sua renda assalariada e do consumo do que
quem é proprietário ou sócio de grandes empresas.

Por causa da esbórnia correndo solta entre os Três Poderes em nome da impunidade e
”governabilidade”, ou seja, da manutenção dos privilégios de poucos. Por conta da quantidade de
sindicatos e sindicalistas subservientes ao poder político e econômico que só pensaram em sua
própria sobrevivência. Devido a uma população que teve negada historicamente o acesso à
formação e informação e hoje é porcamente consciente sobre seus direitos e sobre a estrutura de
exploração na qual está inserida. Pelo entorpecimento trazido pelo bombardeio simbólico na rede
e de parte da mídia, que faz você acreditar que quem faz greve em nome da própria dignidade é
burro. E pelo cansaço extremo de uma população pobre que trabalha tanto que, quando chega em
casa, é incapaz de ter tempo de refletir sobre sua própria condição antes de cair morta na cama, a
Reforma Trabalhista foi aprovada sem um debate profundo no Congresso Nacional e sem
salvaguardas decentes para proteger os mais pobres.

Membros da cúpula do governo federal e parlamentares não se dignaram a explicar à população
mais pobre suas propostas de mudanças e o real impacto na vida dessas pessoas. Em
compensação, estavam sempre presentes em encontros com empresários para mostrar que estão
fazendo tudo direitinho, conforme o combinado.

O relator da Reforma Trabalhista na Câmara dos Deputados, Rogério Marinho (PSDB-RN), em
evento com empresários, num rompante de sinceridade, reforçou o que os críticos ao projeto de lei
avisavam há tempos: ”A reforma da Previdência nos deu uma espécie de cortina de fumaça. Só se
discute a reforma da Previdência, só se fala da reforma da Previdência. Está fora do radar a
Reforma Trabalhista. E é bom que seja assim”. Assim, sem pudor algum.